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quarta-feira, 12 de março de 2014

Tirando o amarelo dos consoles: Retr0bright


Quem tem um console ou computador antigo e tirou ele do armário agora para jogar aqueles clássicos pode ter se espantado com o estado deles, amarelados parecendo velhos e ainda mais antigos do que realmente são. Essa realidade não é diferente para aqueles que têm Commodores, MACs ou PCs antigos. Isso se dá devido a um produto utilizado no plástico chamado ABS, com a função de evitar que o console ou computador se incendiasse após um longo período de uso.

A possibilidade de reverter este processo de amarelamento do plastico só foi descoberta em 2008 pelo Museu CBM em Wuppertal, na Alemanha, eles descobriram que imergindo as peças em uma solução de peróxido de hidrogênio (conhecido por nós mortais com água oxigenada) por alguns dias poderia reverter parcialmente o processo, o que levou diversos químicos e engenheiros de plásticos a aperfeiçoar este método.
Em julho de 2008 após Dave Stevenson "Merlin" descobriu que misturar peróxído de hidrogênio com uma pequena quantidade do produto para lavar roupas chamado Oxy Booster (conhecido como Vanish aqui no Brasil) e utilizando uma lâmpa UV, poderia se fazer o trabalho de dias em algumas horas. Ao trabalhar com objetos maiores, como refrigeradores antigos e peças maiores (computadores/monitores), a mistura estava saindo por um preço alto, pois era líquida, o que fazia com que evaporasse e secasse facilmente. Trabalhou-se então em criar um gel que pudesse ser espalhado pela peça, para que  não evaporasse ou secasse facilmente sobre a peça e o custo seria reduzido a 90% já que em gel a quantidade necessária seria muito menor. 

A receita original de Merlin você pode obter aqui: http://retr0bright.wikispaces.com/. Porém, a receita que usei é levemente diferente:

Um dos maiores problemas pra fazer o Retr0bright aqui no Brasil é encontrar a goma xantana descrita no site oficial do projeto. Em algum forum online, um usuário comentou a possibilidade de utilizar goma de tapioca no lugar da goma xantana, já que o objetivo é apenas engrossar a mistura: ao utilizá-la, o Retr0bright ficou com a consistência de um gel de cabelo e não escorria. Pra usar a goma de tapioca, basta aquecer a água e misturar algumas colheres de goma com água fria num copo até dissolver bem. Quando estiver dissolvido é só ir despejando a mistura na água quente, até ficar com a consistência desejada. O restante da fórmula:

- 1 pote (100mL) de água oxigenada a 40 volumes, a cremosa é melhor de ser utilizada.
- 50mL de glicerina
- um sachê de vanish (50mL) ou 1 colher de chá, se for em pó.

Passo a passo:

Inicialmente, desmonte o console. Eu não sei se esta fórmula causa dano aos circuitos enquanto estão desligados mas, com certeza, se o console for ligado e houver algum remanescente da fórmula dentro do console, será o fim deste console. (Vou utilizar as imagens de http://scanlines16.com/it/blog-3/retro-gaming/gb/jai-teste-le-retr0bright/, pois ficaram melhores do que as minhas fotos. No fim da postagem mostro os resultados que eu obtive.)
Famicom Hong Kong desmontado

Coloque as peças em uma vasilha de vidro ou alumínio. Em último caso, pode até mesmo colocar dentro de um saco plástico. Aplique a fórmula sobre as peças que quer remover o "amarelão" e, imediatamente, leve-a ao Sol, que fará a sua parte. Pessoas mais velhas diriam que as peças estão "quarando".
Produtos italianos da fórmula e o Famicom ao Sol

Passadas umas 3h, retire as peças do sol, lave-as e aplique a fórmula novamente. Repita o processo até que o resultado obtido seja satisfatório.
Comparativo entre a versão pré e pós-Retr0bright

No meu caso, testei apenas em controles do NES, já que ainda não tenho um NES Playtronic, apenas Dynavisions e Turbo Game. O resultado, editado, está na foto a seguir.

Ok... e por que isso ocorre?
O segredo está no peróxido de hidrogênio, que faz a grande parte da ação. Tanto é que esse produto é utilizado até mesmo para clarear os dentes! O vanish serve para aumentar a concentração de oxigênio enquanto a glicerina tem o papel de evitar que o plástico resseque. Yeah, Science!


domingo, 6 de janeiro de 2013

DVD de Roms para o PS2

Esta não é, tecnicamente, uma Gambiware (tecnologia das gambiarras) mas me pareceu ser uma ideia bem interessante. De uns tempos para cá tem sido bem difícil encontrar cartuchos bons, originais ou paralelos, de NES/Famicom a preços justos. Às vezes até encontramos algo nos Mercados Livres da vida, mas o preço do frete desestimula. Às vezes não temos controles funcionando ou não compatíveis. Isso sem contar os mercados de pulgas que têm desaparecido ou deixado de ofertar os games, consoles e controles que procuro.

Já falei aqui sobre o que vinha usando, o Powerpak, que é um emulador para o próprio NES. Recentemente comecei a utilizar uma outra "tecnologia" que me pareceu mais simples, além de reduzir a quantidade de consoles instalados e fios espalhados pelo meu quarto: um DVD de emulador para PS2 - considerando que a maioria das pessoas que conheço tem um PS2. Vamos aos passos.

Você vai precisar de:
* ImgBurn 2.4.0.0 ou mais recente (Freeware - http://www.imgburn.com)
* Pacote FCEU_DVD.ZIP, disponível AQUI
* As ROMs de NES que quiser!
* Um PC com gravador de DVD
* Mídia DVD-R virgem de boa qualidade


Montando:
* Descompacte o arquivo FCEU_DVD.ZIP em um local qualquer. Por exemplo, C:\

* Execute o programa DummyGen.exe para gerar um arquivo "dummy" de mais ou menos 1GB. Isso tornará a leitura do DVD mais fácil no seu PS2. Simplesmente informe o valor 1024 (1024MB = 1GB) e clique no botão "Gerar Arquivo". Escolha a pasta de destino como sendo a mesma pasta onde estão os arquivos que você descompactou.

* Aguarde alguns segundos até que o arquivo 0.0 seja criado. Repare que a pasta C:\FCEU_DVD agora possui um arquivo chamado 0.0 (zero ponto zero) com um tamanho de 1GB:

* Crie uma pasta chamada ROMS, dentro da pasta C:\FCEU_DVD e copie as ROMs de NES para dentro dela:

* Pronto! O conteúdo do DVD já está pronto! Agora vamos para a parte da gravação!
Baixe e instale o ImgBurn 2.4.0.0. Em seguida, execute-o. Selecione a opção "Write files/folders to disc". O programa ficará com o seguinte aspecto:

* Arraste todos os arquivos na pasta C:\FCEU_DVD para a região branca do ImgBurn. Atente para as seguintes regras: 1) Se você possuir um arquivo Dummy (0.0), ele deverá ser o primeiro a ser "arrastado". 2) Se você não possuir um arquivo Dummy, arraste o diretório ROMS primeiro. 3) Finalmente, arraste o restante dos arquivos (repare que não é necessário arrastar o arquivo DummyGen.exe):


* Coloque uma mídia DVD-R virgem na gravadora. Clique na paleta "Device" e selecione a velocidade de gravação desejada (velocidades mais baixas recomendadas):


* Clique na paleta "Options". Em "File System" selecione ISO9660 + UDF e deixe as opções marcadas conforme figura abaixo:

* Selecione a paleta "Labels". Digite um nome qualquer para o seu DVD. No meu caso, ele se chama FILMES. Repita o nome nos campos ISO9660 e UDF. Não se esqueça de colocar 'PLAYSTATION' no campo System:


* Selecione a paleta "Advanced" e em seguida, a sub-paleta "Restrictions". Deixe as configurações conforme a figura abaixo:


* Tudo pronto! Você está pronto para gravar o seu DVD. Clique no botão indicado na figura abaixo para iniciar o processo de gravação:

* Irá aparecer uma tela com o resumo das configurações que você selecionou. Clique OK para confirmar a gravação do DVD:

* Pronto! Você acabou de criar o seu DVD com o FCEUltra for PS2 e várias ROMS! Espero que esse tutorial tenha sido útil! Have fun!




domingo, 23 de setembro de 2012

Invertendo a ordem dos botões do controle do Phantom System

Ouve uma época em que não existia NES no Brasil. A gente mal sabia que merda era um cartucho de 72 pinos, não entendíamos nada de sistema isso e sistema aquilo, tinha nego tão leigo que chegávamos ao ponto de  presenciar pessoas comprando jogo de Master System ou Phantom System pra depois perguntar se dava pra encaixar no Atari! Assim era na época dos clones de nintendinho no Brasil, o início da geração 8bits cá pra nossas bandas, cheia de dúvidas, acertos, imitações grandiosas e obviamente, algumas cagadas bem feias!

Em meados do final dos anos 80, a BigN lançava seu Nintendo Entertainment System, vulgo NES, em território ocidental, mais precisamente na América do Norte e na Europa. Como o Brasil estava fora dos planos de conquista mundial  da gigante nipônica, algumas grandes empresas da época enraizadas no país como a Gradiente, Dismac e CCE (sim, a CCE é grande apesar de tudo) resolveram seguir por conta própria a tendência internacional do ressurgimento da febre dos videogames,  e foi assim que uma enxurrada de consoles clones do aparelho da Nintendo começou a pipocar nas lojas de todo país.

E esse assunto dá muito pano pra manga, é verdade, então antes que eu me perca ou me empolgue e resolva contar as histórias de todos os clones que pintaram por aqui, eu vou é perguntar logo: o que se entende por clone?


Pra mim, entende-se algo igual, idêntico, e em se tratando de videogames, que possua as mesmas funcionalidades ainda que com aparência diferente. Então por que diabos foi que a GRADIENTE, criadora do clone de Nes mais bonito, simpático, e de maior sucesso do Brasil, inverteu a porcaria dos botões A e B  do controlpad do aparelho em questão, o Phantom System?

É bem verdade que naquela época nós não tínhamos do que nos queixar: a gente acostumou com a sequência A B e tudo funcionava perfeitamente, bom, pelo menos até o momento em que a gente ia na casa de um amiguinho possuidor de algum outro clone e se deparava com um controle onde a sequência de botões era a correta, B e A.

Mas passados tantos e tantos anos, caros amigos retroaventureiros, anos que nos deixaram acostumados a apertar os botões em sua ordem correta em diversos consoles que foram se sucedendo geração após geração, essa grande cagada da Gradiente agora se mostra tão cristalina quanto pinga na hora em que o velho dono de um Phantom System resolve tirar a poeira do seu console pra fazer aquela jogatina: se tornou impossível, simplesmente impossível jogar com aqueles botões trocados do controlpad!

Sim, caros amigos retroaventureiros, eu sou um destes velhos donos de Phantom System que se sentiram impossibilitados de jogar uma mísera partidinha de Super Irmãos (o Mario Bros da Gradiente, lembra?) simplesmente por que o botão de pulo não estava no lugar certo! Assim, resolvi pedir a ajuda dos universitários no intuito de conseguir alguma fórmula mágica que me permitisse inverter os botões do controle, e fui atendido logo pelo primeira cara que me veio à cabeça, o grande Eric Fraga, vulgo Cosmonal, o cabeça por trás do excelente Cosmic Effect.

Claro, sou fã do trabalho que o cara faz lá no Cosmic, e foi assistindo a um dos vídeos, mais especificamente um onde o Eric tenta ressuscitar um Tele Jogo levando-o para um amigo dele técnico em eletrônica, que eu tive a ideia de pedir para que ele perguntasse pro cara se existia algum esquema que pudesse ser feito, e prontamente fui atendido!

E é com essa deixa que o Retroplayers inaugura a sessão RetroTutô, onde tentaremos postar eventualmente alguns tutoriais que possam ser de ajuda para a rapaziada retrogamer, que sempre nos manda pedidos de explicações disso e daquilo e a gente nunca tem tempo de responder né!! Mas sem maiores delongas, vamos ao que me foi passado, e boa sorte na hore de meter a mão na massa!

TUTORIAL: ALTERAR A ORDEM DOS BOTÕES A E B DO PHANTOM SYSTEM

Nível: INTERMEDIÁRIO

Material Necessário: FERRO DE SOLDA, PASTA DE SOLDA, UM PEDAÇO DE CABO DE REDE, ESTILETE, LIXA FINA


Esta é a placa do controle do Phantom System, bem robusta por sinal. os botões estão marcados pelas letras em laranja. O procedimento consiste em interromper as trilhas referentes aos botões A e B, e depois, soldar fios na placa de modo a inverter o caminho da resposta aos botões.

O primeiro passo é interromper as trilhas, que são os caminhos em VERDE CLARO. Para isso, utilize o estilete e raspe a placa nos locais mostrados abaixo até que o cobre seja eliminado da placa.

Com isso, as trilhas estão interrompidas, e resta agora, fazer a inversão delas.

Ainda com o estilete, raspe cuidadosamente então um pedaço da camada verde das duas trilhas e em seguida, limpe-as com a lixa fina, como mostrado abaixo: este é o lugar que receberá as soldas!


Um pouco de lógica: se as trilhas seguissem normalmente, elas chegariam a 2 pontos de solda distintos, não é mesmo? Esses pontos são os que reconhecem o aperto dos botões. Logo, o que devemos fazer, é cuidar para que esses pontos recebam as informações da OUTRA trilha, como mostra o diagrama a baixo:


Agora entra o CABO DE REDE: ele é composto de 4 pares de cabinhos menores, e estes cabinhos menores são excelentes para este tipo de trabalho. Se você não tiver um pedaço de cabo de rede que possa ser usado para isso, utilize um cabo de sua preferência, mas que seja fino o suficiente para que a solda não fique muito grande a fim de evitar problemas com contatos indesejados. Corte e descasque a ponta dos fios, eles serão agora soldados à placa.

 

Nessa parte é necessário algum conhecimento no manuseio de um ferro de soldar, e melecar o arame de solda na pasta para solda é imprescindível para que a solda grude com eficácia na placa. Na falta de um equipamento apropriado, eu utilizei um durex para prender o fio à placa enquanto realizava a solda! Jeitinho brasileiro né hehe!


Não importa por onde você vai passar os fios, aqui cabe o bom senso: o importante é cuidar para que eles não fiquem por sobre algum buraco ou atrapalhem algum encaixe do controle, e muito mais importante que isso é cuidar para que as soldas não alcancem outros pontos de contato para que não haja problemas no controle! No meu caso, preferi passar os 2 fios por baixo, dando a volta no buraco do pino central. Segue a solda já feita:


Solda feita, é hora de fechar o controle e testar! Aproveite para dar aquela limpada nos contatos do controle, álcool isopropílico ou spray limpa-contatos são os itens que você deve ter OBRIGATORIAMENTE em casa para isso (ambos são encontrados em casas de material elétrico), e não esqueça de já trocar os botões de plástico na carcaça, pois eles cabem um no lugar do outro sem problemas (ainda bem)!


E como é bom jogar no Phantom System apertando o botão certo no lugar certo!!!

Fechado, o controle fica com aspecto totalmente original, a não ser pelo mode interno realizado. Eu fiz em meus 3 controles, todos funcionaram perfeitamente, ou seja, se o procedimento for feito corretamente, é 100% de chance tudo funcionar às mil maravilhas.

Galera, eu sei que colecionadores de plantão abominam esse tipo de mudança interna em um console, então se você planeja vender seu aparelho com o tempo, NÃO FAÇA ESSA ADAPTAÇÃO a não ser que você tenha controles de reserva. Eu não sou colecionador e eu quero mais é jogar, então que se dane!!!

Fim

Postado aqui sem autorização consentida, no entanto, estou dando o link de onde a postagem pode ser lida originalmente.: http://www.retroplayers.com.br/2012/tuto-retro-01-trocando-a-sequencia-dos-botoes-do-seu-phantom-system/

(Caso o pessoal do Retroplayers peça, este post será retirado)